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Fátima Lopes: o mundo na palma da mão

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Encontrámo-la a ultimar a passagem de testemunho de 48 anos de serviço. Fátima Lopes, colaboradora na TAP IT, onde secretaria atualmente a direção do departamento, tem entrado ao serviço praticamente de madrugada. A transição de trabalho aos colegas terá que ficar completa. Ainda assim, é com boa disposição e total disponibilidade que se apresenta na nossa entrevista. O olhar curioso de Fátima, de uma vivacidade e simplicidade desarmantes, não tem idade. Os colegas sabem-na detentora de uma energia contagiante e de um espírito que não reconhece obstáculos. Apenas barreiras a transpor. E é assim mesmo a história de Fátima Lopes, para quem viajar e trabalhar são os melhores antidepressivos do mundo.

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Fátima Lopes

 

Um sonho de menina

Fátima nasceu em Lisboa, com o verbo viajar inscrito no ADN. Ainda na escola primária, conhece Portugal de lés a lés. Entre as colegas, o seu pai era um dos poucos que possuía automóvel e uma vez que também trabalhava na TAP, a pequena Fátima começa então a alimentar o sonho de ser hospedeira de bordo, designação dada na altura à atual profissão de assistente de bordo. Conseguiu influenciar mais cinco colegas e todas decidiram aprender línguas para melhor servir a função. Não viria a ser essa, contudo, a sua porta de entrada na TAP. Sempre na vanguarda, Fátima Lopes já era casada aos 18 anos e, como tal, teve o acesso vedado à profissão que só admitia meninas solteiras. Face a esta primeira barreira, decide fazer um curso na IBM e acaba por entrar na Companhia como perfuradora-verificadora, no dia 1 de abril de 1969. Parecia mentira, mas foi a verdade de uma vida. A informática encontrava-se, então, numa era muito primitiva, em que os programas eram introduzidos em velhas máquinas através de cartões, onde eram perfurados previamente os dados da programação. Quando a inauguração do serviço computadorizado de reserva, de load-control e check-in da TAP – TAPMATIC – é anunciada, Fátima desafia-se mais uma vez e concorre à posição de programadora, em 1974. “Toda a TAP concorria. O acesso à função de programador era muito difícil. Eu lia os livros da IBM para um gravador e, enquanto fazia o jantar, ouvia a minha própria voz para ir memorizando a matéria”, relembra Fátima. Se bem pensou, melhor o fez. Foi aceite como programadora, função que desempenhou durante a quase totalidade do seu percurso profissional na TAP.

O mundo inteiro por conhecer

O sonho de ser hospedeira não se cumpriu, mas a TAP daria asas ao seu segundo sonho. “A TAP para mim representa muito, porque me permitiu transformar o desejo de viajar em realidade”. São 107 países e datas incontáveis que se atropelam na memória de Fátima, numa conversa de uma hora que facilmente se transformaria numa entrevista de meses, com subsequente livro. Num sobressalto, Fátima destaca a sua viagem mais recente, à República de Kiribati, no Pacífico, como uma das mais importantes da sua vida. Este é o país mais longínquo de Portugal, destinado a ser o primeiro a desaparecer do mapa com a subida do nível da água do mar e onde a diferença horária face ao nosso país é de 14 horas. “Têm um povo maravilhoso, pessoas sem ambições e por isso tudo corre bem. Não há assaltos, a porta fica sempre aberta”. Kiribati é o mote para um rol interminável de histórias. Fátima viu de tudo e experimentou de tudo. Em Vanuatu, na Oceânia, esteve no topo da cratera do vulcão Yasur, em plena erupção. Nas Ilhas Salomão, visitou Tetepare, ilha deserta há mais de 150 anos, onde viveu sem eletricidade e sem água potável, apenas com a companhia da cozinheira, do guia e do barqueiro que os transportou. Na ilha de Bornéu, ainda na era pré-internet, partilhou casa, roupa e comida com a tribo Iban. Na América Central, foi mordida pela formiga-de-fogo, cujo tratamento era desconhecido por todos, e pernoitou numa das cidades mais perigosas do mundo, na Nicarágua. Fez o deserto da Namíbia, o Botswana e a Zâmbia de carrinha. Neste último país, para escapar da volta turística às cataratas de Vitória, que já conhecia, aventura-se sozinha pela selva, no encalço de um grupo de borboletas. Encontrou uma cobra Naja, da qual só se apercebeu através do silvo agudo de alerta da mesma. Não querendo ultrapassá-la nem virar-lhe costas, bateu retirada de marcha atrás, deixando o réptil no seu processo de aquecimento sobre uma pequena passagem alcatroada. No Sri Lanka viu-se obrigada a subornar um elefante “portageiro”, que impedia o trânsito numa estrada até que fosse devidamente alimentado. No Uganda, em plena Floresta Impenetrável de Bwindi, fugiu apressadamente de um gorila que desfechou dois murros numa árvore, aborrecido com a presença humana. Contudo, o caso mais insólito será, talvez, o das Filipinas. Fátima rumou ao país, há mais de 40 anos, com o intuito de ser “operada” a um quisto no pulmão por curandeiros locais, conhecidos por efetuar intervenções cirúrgicas sem outro instrumento além das próprias mãos e do poder da mente. “O médico que me seguia aqui no posto médico da TAP ficou surpreendido e deu-me um frasco com uma solução de formol e álcool, onde eu deveria trazer o quisto que me fosse retirado do pulmão. E foi este o pormenor que levou o curandeiro a ficar furioso e quase se recusava a tratar-me, não fosse eu ter atirado o frasco para o lixo na sua frente”. O curandeiro esqueceu-se, porém, de informar que não deveria voltar a ser radiografada até sair das Filipinas. Foi assim que Fátima percebeu o embuste. “Dirigi-me ao hospital, a dois passos do hotel, e quando recebi o Raio X, lá estava ele, redondinho no meu pulmão. Regressei ao hotel fiz a mala, desci à receção, fiz o check-out e voei para fora do país antes que me apertassem o pescoço”.

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Um dos passaportes de Fátima Lopes

 

A simplicidade na arte de viajar

Fátima foi aperfeiçoando a sua arte ao longo dos quase 50 anos de viagens regulares. Simplicidade é a palavra-chave. Costuma viajar quase sempre sem bagagem de porão, “o que é quase impensável, atualmente, para os jovens”, graceja Fátima. Esta “leveza” e os anos TAP com que conta já lhe valeram, várias vezes, lugar em voos lotados. “Levo três mudas de roupa: uma para lavar, outra para vestir e a outra para o que der e vier. Não levo champô, nem sabonete e até já viajei sem escova de cabelo. Há disso em todo lado”, assegura Fátima. Transporta sempre um par de botas, um par de chinelos e tenta vestir-se sempre da mesma forma que os habitantes dos países que visita. De acordo com a sua experiência, não se assemelhar a um turista pode trazer muitas vantagens aos viajantes. Foge, sempre que pode, das visitas guiadas e dos pacotes turísticos. “Não gosto de viajar com horários pré-estabelecidos. Gosto muito de ver o sol a nascer”. Fátima também não aconselha a repetição de destinos, algo que já fez e que lhe dificultou a meta de visitar todos os países do mundo. Para quem não tem possibilidades monetárias ou pouco tempo para viagens, Fátima sugere que se conheçam, pelo menos, dois países de cada continente, para se ter uma ideia de como é o mundo no seu todo. Luxos? Também os viveu. Mas afirma, mais uma vez, que é a simplicidade que permite conhecer a verdade. “Quando se viaja com mordomias, não se vê nada. Os hotéis de luxo, com torneiras de ouro, são iguais em todos os países que têm dinheiro. Se não conhecemos as pessoas, de que é que adianta viajar?”​
A paixão que Fátima tem por viagens é igual à que tem pela TAP, o seu ponto de partida para o mundo. Ainda que esteja a finalizar um ciclo, essa porta nunca será fechada. “Quando sair da TAP não vou de braços a abanar, mas sim de braços abertos, pois continuo a trabalhar na área do turismo”, revela Fátima Lopes, que terá agora mais tempo para cuidar do seu projeto de alojamento local, situado num prédio que herdou do avô, em plena Alfama. Aos turistas, fala-lhes maravilhas da TAP e incita-os a viajar com a Companhia. Muitos deles, italianos, holandeses e até canadianos em viagem pela Europa, já não prescindem da TAP nas suas deslocações.
 
Fátima não sabe qual será a sua próxima viagem, mas o que é certo é que não irá parar. No seu “até já” à Companhia, Fátima recorda como “absolutamente inesquecível” a festa de despedida feita pelos colegas. “Carinho é uma palavra pequena, para o meu sentimento por todos que me acompanharam ao longo dos meus 48 anos na TAP e que marcaram a minha história. Uma das ofertas que me fizeram foi uma cadeira de avião, que já se encontra em minha casa. Quando as pernas já não puderem viajar, vou ficar sentada nela a sonhar”.
 
  • Floresta Impenetrável de Bwindi, Uganda
  • Gronelândia
  • Fátima Lopes na sua cadeira - presente
  • Islândia
  • Ilhas Faroé
  • Kiritimati, República de Kiribati
  • Menina de Munda, Ilhas Salomão
  • Monte Ramelau, Timor-Leste
  • Ogii Camp, Mongólia
  • República de Kiribati
  • Papua-Nova Guiné
  • Salar de Uyuni, Bolivia
  • São Petersburgo, Rússia
  • Tasmânia e os seus diabos
  • Templo de Manuha, Myanmar
  • Tetepare, Ilhas Salomão
  • Transiberiano, Rússia
  • Uzbequistão
  • Vulcão Yasur, Vanuatu
  • Aurora Boreal em Tromso, Noruega
  • Baga Gazar, Mongólia
  • Bayanzag, Mongólia
  • Bora Bora, Polinésia Francesa
  • Butão
  • Cemitério de Santa Cruz, Dili, Timor Leste
 

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